quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cooperar é melhor do que competir


Cooperar é melhor do que competir.


Sempre digo isso e transformei essa frase em um lema profissional e pessoal. Não como um slogan vazio ou uma frase de efeito para impressionar as pessoas, mas como um princípio que procuro colocar em prática diariamente em todas as minhas relações.

Essa convicção nasceu em um período passado, a partir de uma experiência que vivi na indústria, liderando grandes equipes. Na época, como Gerente de Produção responsável pelos três turnos de trabalho, busquei uma forma de estimular o desempenho das equipes. Por isso, implementei indicadores específicos para cada turno, além de um quadro de gestão à vista, permitindo que todos acompanhassem seus próprios resultados e os resultados dos demais.

A ideia parecia excelente, pois o objetivo era criar uma "competição saudável". Inicialmente, funcionou muito bem, pois rapidamente surgiu um ambiente de desafio constante, no qual um turno buscava superar o outro. Os comentários se tornaram frequentes e era comum ouvir frases como: "Somos melhores que vocês" ou "Vamos bater a próxima meta e vencer vocês". Inclusive, o assunto ultrapassou o ambiente operacional e passou a fazer parte das conversas no refeitório.

Entretanto, aquilo que parecia positivo começou a revelar um efeito colateral perigoso. Aos poucos, a competição deixou de estimular o desempenho e passou a separar as pessoas. As amizades foram enfraquecendo, as discussões aumentaram e os turnos deixaram de enxergar que faziam parte de um mesmo processo. O que antes funcionava como uma corrida de revezamento, em que um dependia do outro para alcançar o resultado final, transformou-se em uma disputa interna.

Como consequência, surgiram desconfianças, acusações e até a percepção de que um turno poderia estar sabotando o outro. Naturalmente, o ambiente se tornou tóxico e os indicadores, que inicialmente haviam melhorado, começaram a cair drasticamente.

Felizmente, a lição foi aprendida a tempo. Diante desse cenário, desfiz completamente aquele modelo competitivo, realizei dinâmicas de reconstrução das equipes, implementei indicadores voltados para o desempenho dos processos como um todo e, principalmente, restabeleci as conexões entre as pessoas.

Foi exatamente naquele momento que uma frase deixou de ser apenas uma ideia e se transformou em uma convicção. Percebi que quando as pessoas competem entre si, alguém ganha e alguém perde. Porém, quando as pessoas cooperam, todos evoluem. Desde então, sigo acreditando e reforçando diariamente um princípio que considero essencial dentro e fora das organizações: Cooperar é melhor do que competir.