quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A Verdade Acima do Orgulho


A Verdade Acima do Orgulho

Ninguém precisa vencer todas as discussões. O importante é se aproximar da verdade. Entretanto, o orgulho nos leva a selecionar evidências que confirmam nossas opiniões e ignorar as que as contradizem. A psicologia cognitiva denomina esse comportamento viés de confirmação e o associa ao raciocínio motivado.

Mudar de ideia diante de argumentos melhores não é fraqueza, mas maturidade intelectual. A dissonância cognitiva ajuda a explicar por que informações contrárias às nossas crenças geram desconforto e nos levam a justificar posições, em vez de reconsiderá-las. A integridade intelectual exige humildade para reconhecer erros e rever opiniões diante de evidências consistentes.

Quando os Dados Deixam de Revelar a Realidade e Passam a Justificar Erros


Quando os Dados Deixam de Revelar a Realidade e Passam a Justificar Erros

Em gestão, os dados deveriam revelar a verdade, apoiar decisões, produzir conhecimento e orientar a melhoria contínua. Entretanto, quando são manipulados ou interpretados seletivamente para confirmar crenças preexistentes, deixam de revelar a realidade e passam a sustentar percepções distorcidas.

A ciência ajuda a compreender esse fenômeno por meio de conceitos como viés de confirmação, dissonância cognitiva e Lei de Goodhart. O primeiro favorece evidências que reforçam convicções; o segundo estimula a racionalização de decisões equivocadas; e o terceiro alerta que, quando um indicador se transforma em meta, pode deixar de representar adequadamente o desempenho real.

A "estética dos dados" vs. a realidade operacional.


A "estética dos dados" vs. a realidade operacional.


Certa vez, assessorando a governança de uma empresa, me deparei com um cenário que, à primeira vista, parecia absolutamente normal. Os dashboards de manutenção exibiam gráficos organizados, séries históricas estáveis e indicadores bem distribuídos entre manutenção preventiva e corretiva. Havia números, padrões e uma sensação de controle. Entretanto, algo não fechava. Ao observar os dados ao longo do tempo, percebi que tanto os custos quanto as horas paradas cresciam de forma contínua, independentemente do suposto investimento em prevenção.

Com uma análise mais cuidadosa, notei um comportamento curioso. Em vários meses, os valores simplesmente se repetiam. As barras eram quase idênticas, a variabilidade mínima, os desvios irrelevantes. Para quem conhece operações reais, isso é um forte sinal de alerta. Processos vivos variam, sofrem interferências, apresentam ruído e não se comportam como sistemas lineares e previsíveis. A dúvida deixou de ser se os números estavam bons e passou a ser se aqueles números representavam, de fato, a realidade.

Operational Excellence, Industrial Engineering and Lean Manufacturing - VSM: transforming process to generate results.


Operational Excellence, Industrial Engineering and Lean Manufacturing - VSM: transforming process to generate results.


Recently, I conducted an in-company Workshop dedicated to understanding and practical application of Value Stream Mapping (VSM), focusing on process optimization, increasing productivity, and reducing operational costs.

More than knowing the techniques of process mapping, the challenge is to develop a systemic view of the operation, understand how work happens in practice, and identify real opportunities for improvement and cost reduction.

Quando o Problema Deixa de Ser um Sinal e se Torna uma Consequência


O sinal estava diante de mim. Eu simplesmente não enxerguei.


Ontem, fui ao supermercado com minha esposa. Enquanto procurávamos os itens da lista, em duas situações ela parou diante de alguns produtos e comentou que eram muito bons, que eram uma delícia. Eu ouvi, entendi literalmente e seguimos adiante. Não compramos os produtos e continuamos até o caixa.

Quando já estávamos prontos para pagar, ela me falou baixinho que quando uma mulher diz ao esposo que algo é bom, bonito ou gostoso, muitas vezes está sinalizando que gostaria que ele tomasse a iniciativa e comprasse, sem precisar pedir. Foi então que percebi que havia uma mensagem por trás daquelas palavras que não havia captado.

A Inteligência Artificial reduzirá o esforço cognitivo?


A Inteligência Artificial reduzirá o esforço cognitivo? Talvez essa não seja a pergunta certa.


As máquinas transformaram a indústria ao reduzir o esforço físico humano. A Inteligência Artificial parece seguir o mesmo caminho, prometendo reduzir o esforço cognitivo. Mas será que estamos realmente diminuindo a necessidade de pensar ou apenas mudando a natureza do trabalho intelectual?

Na indústria, essa transformação já é realidade. Algoritmos analisam milhares de dados em segundos, sistemas de visão computacional identificam defeitos, modelos preditivos antecipam falhas e assistentes inteligentes produzem relatórios em minutos.

Cooperar é melhor do que competir


Cooperar é melhor do que competir.


Sempre digo isso e transformei essa frase em um lema profissional e pessoal. Não como um slogan vazio ou uma frase de efeito para impressionar as pessoas, mas como um princípio que procuro colocar em prática diariamente em todas as minhas relações.

Essa convicção nasceu em um período passado, a partir de uma experiência que vivi na indústria, liderando grandes equipes. Na época, como Gerente de Produção responsável pelos três turnos de trabalho, busquei uma forma de estimular o desempenho das equipes. Por isso, implementei indicadores específicos para cada turno, além de um quadro de gestão à vista, permitindo que todos acompanhassem seus próprios resultados e os resultados dos demais.

Os 5S realmente não funcionam no Brasil ou o problema está na forma como os implementamos?


Os 5S não funcionam no Brasil ou estamos tentando implementá-los da forma errada?


Ao longo da minha trajetória profissional, ouvi inúmeras empresas e profissionais afirmarem que os 5S não funcionam no Brasil. Curiosamente, a crítica quase nunca está direcionada à metodologia, mas à educação e aos comportamentos culturais predominantes em nossa sociedade. Em parte, concordo, pois os 5S nunca foram apenas uma ferramenta de gestão. Na verdade, representam uma filosofia baseada em disciplina, respeito, responsabilidade e senso coletivo.

First Principles Thinking: A arte de desaprender para construir soluções melhores


First Principles Thinking: A arte de desaprender para construir soluções melhores


Frequentemente, executamos atividades, construímos processos e tomamos decisões não porque representam a melhor alternativa, mas simplesmente porque sempre foram feitas dessa maneira. É justamente nesse contexto que surge o First Principles Thinking, ou Pensamento por Primeiros Princípios, uma abordagem popularizada por Elon Musk e inspirada nos ensinamentos de Aristóteles.

Visão Integrada entre Finanças e Operações Orientam o Futuro das Empresas


Certa vez, fui convidado a apoiar uma empresa de médio porte do setor de logística que enfrentava um desafio bastante comum: apesar do intenso esforço das equipes e do grande volume de informações disponíveis, os resultados financeiros não refletiam plenamente o potencial do negócio. A percepção inicial era de que os custos estavam aumentando e comprometendo a lucratividade. No entanto, à medida que aprofundamos as análises, ficou claro que a origem do problema não estava apenas nos números, mas principalmente na desconexão entre a gestão financeira e as operações.

O relatório que ninguém precisava, mas todos acreditavam ser indispensável


O relatório que ninguém precisava, mas todos acreditavam ser indispensável


Certa vez, ao analisar a distribuição das cargas de trabalho de uma equipe, identifiquei uma situação que parecia normal para todos, mas que chamava a atenção pelos seus efeitos. Um colaborador permanecia frequentemente além do horário de expediente para concluir um extenso relatório. Como aquela atividade consumia horas extras recorrentes, decidi investigar mais profundamente o contexto.

A Inteligência Artificial não corrige ineficiências operacionais


Recentemente, durante uma conversa sobre Transformação Digital, ouvi uma frase que me fez refletir: “Queremos implementar Inteligência Artificial o quanto antes.”

A intenção era legítima, afinal, vivemos um momento em que tecnologias emergentes prometem ganhos expressivos em produtividade, previsibilidade e competitividade. No entanto, ao observar a realidade operacional daquela organização, ficou evidente um detalhe crítico: processos ainda instáveis, dados descentralizados, retrabalho frequente e pouca integração entre áreas. E foi impossível não fazer uma analogia simples, porém poderosa.

O maior erro de muitos líderes é tratar todos da mesma forma



O maior erro de muitos líderes é tratar todos da mesma forma


Ao longo da minha carreira, liderando pessoas desde muito cedo até os dias atuais, aprendi que resultados consistentes não surgem apenas de metas bem definidas, processos estruturados ou alta cobrança. Com o tempo, percebi uma competência silenciosa, muitas vezes negligenciada, mas decisiva para equipes fortes. A capacidade de diagnosticar corretamente a maturidade das pessoas.

Transformação Digital Não Basta. O Novo Desafio da Indústria é Outro


Transformação Digital Não Basta. O Novo Desafio da Indústria é Outro


Durante anos, a Indústria 4.0 foi apresentada como a grande revolução da manufatura. Sensores inteligentes, IoT, IA, Big Data e automação avançada passaram a ocupar o centro das estratégias industriais. O objetivo parecia claro. Produzir mais, reduzir perdas e aumentar eficiência. Entretanto, uma pergunta começa a ganhar espaço entre executivos e gestores industriais. Apenas digitalizar é suficiente?

Sua empresa mede esforço ou mede resultado?


Sua empresa mede esforço ou mede resultado?


Certa vez, durante uma reunião de apresentação de projetos de P&D, vivi uma situação que permanece viva em minha memória profissional. O ambiente era positivo, investimentos realizados, equipes mobilizadas, tecnologias sendo desenvolvidas, cronogramas sendo cumpridos e indicadores apontando evolução das iniciativas. Em um primeiro olhar, tudo parecia caminhar bem.

Grandes soluções surgem quando engenharia e operação trabalham como um só time.


Grandes soluções surgem quando engenharia e operação trabalham como um só time.


Certa vez, enquanto atuava como gestor das equipes de engenharia e manutenção, fui acionado pelo gestor da Produção devido ao longo tempo gasto na análise de uma falha em uma máquina crítica do processo produtivo. O equipamento permanecia parado, a pressão operacional aumentava e técnicos e engenheiros já estavam há horas tentando identificar a causa do problema.

Quando a Transformação Digital Acelera o Erro em Vez do Resultado


Quando a Transformação Digital Acelera o Erro em Vez do Resultado


Sua empresa pode estar investindo em transformação digital e, ainda assim, apenas acelerando os próprios erros. Essa foi a constatação que surgiu durante uma visita a uma planta industrial que havia acabado de concluir um ambicioso projeto de digitalização. Sensores instalados, dashboards em tempo real, algoritmos rodando. No digital, um caso de sucesso. Na prática, um cenário diferente.

Até onde vale a pena ficar em silêncio?


Até onde vale a pena ficar em silêncio?


Certa vez, participei de um treinamento de líderes com foco em gestão e condução de pessoas. Na apresentação inicial, a instrutora pediu que cada participante compartilhasse formação e experiências. Todos seguiram a proposta.

Quando chegou a minha vez, fiz o mesmo. Relatei minha formação e vivências na liderança. Porém, logo após, a instrutora fez uma piada, me chamando de Master Black Belt das Galáxias. A sala reagiu com risos e o momento seguiu.

Do Kikai Kuyō ao Digital Twin e o que tradições antigas podem ensinar sobre o futuro da indústria


Do Kikai Kuyō ao Digital Twin e o que tradições antigas podem ensinar sobre o futuro da indústria


Quando pensamos em Transformação Digital 4.0, associamos o tema à Inteligência Artificial, IoT, automação e Digital Twins. No entanto, algumas bases conceituais da indústria do futuro talvez tenham raízes muito mais antigas do que imaginamos. Em tradições japonesas existe uma relação singular com ferramentas, máquinas e recursos materiais marcada por respeito, responsabilidade e cuidado. Mais do que cultura, essa visão influenciou uma forma particular de pensar eficiência e valor dos ativos industriais.

Análise Preditiva com Inteligência Artificial: Antecipando o Futuro com Dados


Análise Preditiva com Inteligência Artificial: Antecipando o Futuro com Dados


A análise preditiva baseada em Inteligência Artificial representa um avanço relevante dentro da Ciência de Dados, integrando técnicas de Aprendizado de Máquina para transformar dados históricos em previsões acionáveis. Seu propósito é analisar padrões passados para estimar comportamentos futuros com maior precisão e velocidade, reduzindo incertezas no processo decisório.