
Ao longo da minha carreira profissional, um dos maiores aprendizados que tive foi entender que iniciar algo do zero exige mais do que conhecimento técnico. Exige visão, coragem para enfrentar o desconhecido e disciplina para transformar projetos em realidades tangíveis. Foi justamente nesse cenário que vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha trajetória profissional: os startups de fábricas e operações industriais.
Ainda nos anos 90, tive a
oportunidade de participar do startup da primeira fábrica da Samsung no Brasil,
em Manaus. Foram meses intensos de transferência de tecnologia da Coreia,
implantação de linhas e máquinas SMT e PTH, treinamento de equipes e adaptação
cultural.
Nesse contexto, mais do que
trazer máquinas, estávamos construindo um modelo de excelência que unia
inovação, produtividade e desenvolvimento de talentos locais.
Na sequência, vieram outros
desafios que reforçaram essa vocação. Na Gradiente, liderei o startup da
unidade de fabricação de vídeo, estruturando processos, gerenciando custos e
implementando tecnologias avançadas de montagem automática. Cada decisão naquele
momento tinha impacto direto na viabilidade do negócio, e a pressão por
resultados era proporcional à satisfação de ver a fábrica operar em plena
capacidade.
Anos depois, na NCR, estive à
frente do startup da fábrica de cofres e ATMs, a primeira no país com
verticalização total dos processos metalmecânicos e eletroeletrônicos. Além da
complexidade tecnológica, havia o desafio de integrar pessoas, alinhar cultura
organizacional e garantir que os indicadores de desempenho sustentassem o
crescimento do negócio. O resultado foi a introdução de novos produtos de
relevância nacional e ganhos expressivos em eficiência.
Na Cushman & Wakefield, a missão foi diferente, mas igualmente desafiadora:
implantar a primeira fábrica da BMW no Brasil, em Araquari/SC. Estruturar a
unidade de facilities, garantir o comissionamento de sistemas críticos e
padronizar processos com excelência foram etapas decisivas para consolidar esse
marco da indústria automotiva no país.
E essa jornada não parou. Em
outras diferentes empresas e consultorias, continuei atuando em startups de
novas unidades, produtos, processos e equipes, sempre com a convicção de que
cada projeto é mais do que engenharia, mas também sobre gestão de pessoas,
cultura e transformação.
Hoje, ao olhar para trás, vejo
que esses desafios moldaram minha forma de atuar como gestor. Cada startup me
ensinou que para inaugurar uma nova operação é necessário criar bases sólidas
para que ela cresça de forma sustentável e que inspire todos os envolvidos em
prol de um objetivo comum.
E você, já viveu a experiência
de estar em um projeto que começou do zero? Como foi participar dessa
experiência?