segunda-feira, 15 de setembro de 2025

A Experiência de Iniciar um Projeto do Zero

 


Ao longo da minha carreira profissional, um dos maiores aprendizados que tive foi entender que iniciar algo do zero exige mais do que conhecimento técnico. Exige visão, coragem para enfrentar o desconhecido e disciplina para transformar projetos em realidades tangíveis. Foi justamente nesse cenário que vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha trajetória profissional: os startups de fábricas e operações industriais.

Ainda nos anos 90, tive a oportunidade de participar do startup da primeira fábrica da Samsung no Brasil, em Manaus. Foram meses intensos de transferência de tecnologia da Coreia, implantação de linhas e máquinas SMT e PTH, treinamento de equipes e adaptação cultural.

Nesse contexto, mais do que trazer máquinas, estávamos construindo um modelo de excelência que unia inovação, produtividade e desenvolvimento de talentos locais.

Na sequência, vieram outros desafios que reforçaram essa vocação. Na Gradiente, liderei o startup da unidade de fabricação de vídeo, estruturando processos, gerenciando custos e implementando tecnologias avançadas de montagem automática. Cada decisão naquele momento tinha impacto direto na viabilidade do negócio, e a pressão por resultados era proporcional à satisfação de ver a fábrica operar em plena capacidade.

Anos depois, na NCR, estive à frente do startup da fábrica de cofres e ATMs, a primeira no país com verticalização total dos processos metalmecânicos e eletroeletrônicos. Além da complexidade tecnológica, havia o desafio de integrar pessoas, alinhar cultura organizacional e garantir que os indicadores de desempenho sustentassem o crescimento do negócio. O resultado foi a introdução de novos produtos de relevância nacional e ganhos expressivos em eficiência.

Na Cushman & Wakefield, a missão foi diferente, mas igualmente desafiadora: implantar a primeira fábrica da BMW no Brasil, em Araquari/SC. Estruturar a unidade de facilities, garantir o comissionamento de sistemas críticos e padronizar processos com excelência foram etapas decisivas para consolidar esse marco da indústria automotiva no país.

E essa jornada não parou. Em outras diferentes empresas e consultorias, continuei atuando em startups de novas unidades, produtos, processos e equipes, sempre com a convicção de que cada projeto é mais do que engenharia, mas também sobre gestão de pessoas, cultura e transformação.

Hoje, ao olhar para trás, vejo que esses desafios moldaram minha forma de atuar como gestor. Cada startup me ensinou que para inaugurar uma nova operação é necessário criar bases sólidas para que ela cresça de forma sustentável e que inspire todos os envolvidos em prol de um objetivo comum.

E você, já viveu a experiência de estar em um projeto que começou do zero? Como foi participar dessa experiência?