terça-feira, 1 de março de 2011

CTRL-C e CTRL-V

Li recentemente uma matéria muito interessante e que me fez recordar uma das várias defesas de mestrado que já tive a oportunidade de ver. Trata-se de um ato cada vez mais comum no meio acadêmico e profissional. É o famoso CTRL-C / CTRL-V. A reportagem publicada no Globo News, na edição de 24/02/2011, dizia o seguinte: "O ministro da Defesa alemão Karl-Theodor zu Guttenberg copiou trechos da internet para sua tese de doutorado. Um jornal alemão fez a denúncia há cerca de uma semana e ele negou. Mas a imprensa descobriu mais de cem trechos copiados na tese dele de matérias de jornal. Ele fez com que funcionários públicos fizessem trabalhos para ele. A universidade anunciou que retirou o título de doutor do ministro."
Lembro que durante meus estudos no curso de mestrado da UFAM/FT e também na minha preparação para fazer a defesa e conclusão do curso, fui várias vezes instruído pelos professores sobre os cuidados na pesquisa e na escrita dos textos para a minha dissertação. Dentre as várias instruções uma dizia que eu deveria SEMPRE mencionar a fonte dos gráficos, tabelas e textos daquilo que eu faria referência na minha pesquisa. Ocorre que além de todo o esforço, atenção e dedicação necessárias para elaborar uma dissertação que atenda todos os requisitos da norma, também eram exigidas a minha participação como ouvinte em no mínimo 10 outras defesas de mestrado. Portanto, caso não tivesse participado como ouvinte das 10 defesas, não teria direito a fazer a minha própria defesa e concluir o curso do mestrado.
No início, quando ainda era um leigo na pesquisa, achava todo esse regulamento e pré-requisitos um tanto que exagerado. Porém, graças à qualidade do curso de mestrado da UFAM, aliado a capacidade de seus professores, hoje eu testemunho e ratifico todo o processo de ensino e aprendizagem que tive.
Em uma das 10 defesas que presenciei, fui testemunha de uma situação um tanto embaraçosa. O fato aconteceu quando um candidato a mestre, durante sua defesa perante a banca, foi abordado por um dos examinadores doutores que fez o seguinte comentário: "... meu querido candidato a mestre, ou você faz referência a mim como autor dos vários trechos que encontrei na sua dissertação ou você simplesmente retira tudo o que está escrito e refaz o seu trabalho, pois vários textos pertencem a mim e foram publicados no meu livro sobre o tema que você pesquisou..."
O fato causou embaraço e vergonha para todos, pois nos mostra como é comum essa prática em Manaus, no Brasil e no mundo. Vale então uma reflexão para que nós, estudantes e professores, tomemos cuidado em relação às fontes de nossas pesquisas. Fazer a referência daquilo que pesquisamos é primeiramente um ato de respeito por alguém que desenvolveu, escreveu e publicou uma pesquisa. Fazer as referências corretas também nos dá credibilidade para aquilo que escrevemos. Vale lembrar que outros também irão explorar e usar nossos textos como fonte de pesquisa. Neste ultimo caso, não gostaríamos que nossos textos fossem "clonados" sem que nosso nome seja mencionado.
Portanto, o copiar e colar somente são validos quando fazemos referência à fonte do assunto pesquisado e ainda obedecendo SEMPRE às normas técnicas da ABNT, tais como: as citações indiretas quando você apresenta o pensamento do autor diluído no texto usando as próprias palavras e as citações diretas quando você transcreve para o seu texto, entre aspas, exatamente as palavras do autor.