O OEE (Overall Equipment Effectivences) ou Eficiência Geral (ou Global) do Equipamento ou Máquina foi originalmente concebido dentro do sistema de gestão da manutenção desenvolvido pela Toyota e que é conhecido como TPM ou (Total Productive Maintenance) ou Manutenção Produtiva Total. O OEE se aplicava no início a máquinas na linha de produção onde os próprios operadores eram treinados para fazer algumas tarefas de manutenção que no modelo tradicional (americano) era de responsabilidade exclusiva da equipe de manutenção. Desde então, OEE passou a ser a forma mais difundida de medir a eficiência na área industrial.
O Japan Institute of Plant Maintenance
(JIPM) oficializou como calcular o OEE, a intenção do JIPM foi ter um índice
que pudesse servir para todas as indústrias japonesas e que permitisse servir
de referência para avaliar se uma máquina esta funcionando corretamente ou se a
queda do índice indica que talvez seja necessário fazer algum tipo de
manutenção para que a máquina volte a ter a eficiência original.
Com o tempo o OEE passou a designar
não só a eficiência de uma máquina, mas também de um conjunto de máquinas, ou
de uma linha de produção ou mesmo de uma planta de produção inteira.
O JIPM criou então o conceito de World
Class OEE, que são plantas produtivas e eficientes que possuem o índice OEE
igual ou acima a 85%, e concluiu que a média da maioria das empresas japonesas
da época tinham um OEE em torno de 60%.
Mas, afinal de contas, como é
calculado o OEE? Para calcular o OEE é necessário medir 3 índices de máquinas,
linhas, células: Disponibilidade, Desempenho e Qualidade. São valores percentuais
de cada índice que compõem o OEE.
O cálculo do OEE é feito simplesmente
multiplicando estes 3 índices. Parece fácil não é? É, a conta é fácil, o
difícil é obter esses dados com confiabilidade, porque também não adianta nada
ter um índice que não seja confiável e além do mais, muitas ações na produção são
em tempo real, de que adianta saber que no ano passado ou no mês passado a
empresa não foi eficiente se o problema já foi resolvido semana passada.
Vamos detalhar cada um destes índices:
1. Disponibilidade
Corresponde ao quanto a máquina (ou as
máquinas e linhas de uma planta) estão disponíveis para serem utilizadas. Por
exemplo, uma máquina injetora foi instalada recentemente na planta e a intenção
é que sejam injetados produtos durante 2 turnos de 8 horas, sendo assim a
disponibilidade da máquina são de 16 horas diárias, caso a máquina fique
indisponível por qualquer razão nesse período (qualquer parada não planejada) o
índice de disponibilidade não será mais de 100%.
2. Desempenho
Representa o quanto a máquina produz
em relação a capacidade de produção desta mesma máquina. Por exemplo, no caso
da injetora, vamos supor que o tempo padrão, ou o tempo definido para produção,
é de 200 peças por minuto para um determinado produto. Se a produção for
inferior a esse valor o desempenho não será de 100%. Mas como é possível medir
o desempenho?
Existem basicamente três formas:
• Manual: A contagem da produção é
feita pelo operador ou as vezes com alguém exclusivo para anotar o produção de
um setor, e se faz a anotação, por exemplo de hora em hora. Esses valores são
totalizados por um funcionário que lança as informações, em muitos casos em uma
planilha Excel, e gera relatórios com gráficos coloridos que são impressos e
apresentados em um local de informações na produção.
• Manual com coleta direta na
produção: É disponibilizado um ou mais computadores, tablets, ou outro meio de
comunicação com o sistema de controle de OEE, e os operadores informam
diretamente ao istema as ocorrências da produção como produtos produzidos,
paradas, refugos, etc. Digitando essas informações sem a interferência de um outras
pessoas.
• Automático: A contagem da produção e
do refugo, a identificação de parada e outras informações são coletadas
automaticamente por um coletor dados conectado a sensores ou a CLPs na máquina
ou linha. omo os dados são coletadas em tempo real, os índices de OEE também odem
ser apresentados aos operadores em tempo real.
3. Qualidade
Não adianta ter alta disponibilidade e
alto desempenho se os produtos estão sendo produzidos com defeitos e sendo
refugados. O terceiro índice que compõe o OEE é a qualidade do produto. Uma
forma é utilizar o conhecimento do operador para informar se um produto está
sendo produzido com qualidade, outra forma é a análise de amostragem por lote,
nesse caso a medição não é totalmente em tempo real.
O sistema de gestão de OEE pode
sinalizar ao analista de qualidade quando é o momento para que a avaliação de
lote seja feita. O índice de OEE é então, matematicamente, formado pela
multiplicação dos 3 índices: OEE = Disponibilidade x Desempenho x Qualidade
Vamos supor então que uma empresa
tenha os seguintes índices:
• Disponibilidade: 88% - existem
algumas paradas nas máquinas com problema, mas parece um bom índice;
• Desempenho: 85% - em função das
quebras e dos desgastes nas máquinas, o desempenho é de 85 % mas ainda assim
parece bom;
• Qualidade: 97% - a qualidade do
produto é afetada por causa dos problemas de máquinas com defeito, mas afinal
de contas e quase 100% de qualidade.
Parecem números bons, mas qual seria o
OEE dessa empresa? O índice de OEE nesse caso seria: OEE = 0,88 x 0,85 x 0,97 =
0,72
Apesar de parecer que individualmente
os números não são tão ruins, o índice de 72% de OEE não é tão bom assim. O
JIPM definiu os seguintes valores mínimos para uma empresa ser considerada World
Class.
• Desempenho deve ser no mínimo 95%
• Disponibilidade acima de 90%
• Qualidade deve ser de pelo menos 99%
Com esses números individuais, o OEE
obtido seria: OEE = 0,90 x 0,95 x 0,9999 = 0,855
Isso mostra que atingir 85% de OEE
implica em uma gestão muito apurada de cada máquina, linha, célula, operadores,
equipe de manutenção, enfim não é algo muito simples de se atingir sem as
ferramentas adequadas.
Fonte: E-book OEE na Prática