A jornada do "fazer
digital" para o "ser digital", no contexto das Indústrias 4.0 e
5.0
Frequentemente, observo empresas que confundem a adoção de ferramentas com
transformação. Como consequência, acabam presas a um ciclo recorrente de
automação de ineficiências, sem qualquer impacto real na essência do negócio.
Nesse estágio inicial, o fazer digital se manifesta por tecnologias isoladas,
que funcionam como acessórios operacionais, mas não alteram a lógica da
liderança nem a forma como decisões estratégicas são tomadas no cotidiano.
A verdadeira virada de chave
ocorre quando a organização transcende o uso instrumental da tecnologia e passa
a ser digital em sua identidade. Essa transição exige uma estratégia
genuinamente orientada por dados e uma cultura organizacional que incorpore a
experimentação como valor inegociável para a sobrevivência. Ao atingir esse
nível de maturidade, a empresa deixa de reagir às mudanças do mercado e passa a
antecipá-las, apoiada por inteligência artificial e análises avançadas que
ampliam a capacidade humana de decisão.
Nesse contexto de evolução
contínua, a Indústria 5.0 surge como o elo que humaniza a tecnologia ao
reposicionar a sustentabilidade e o bem-estar do colaborador no centro do
sistema produtivo. Uma organização que é digital compreende que a eficiência
das máquinas deve estar a serviço da criatividade das pessoas e que a
resiliência corporativa nasce da capacidade de aprender e desaprender com
velocidade. Trata-se de um processo de metamorfose, no qual sistemas
ciberfísicos se integram à sensibilidade humana para gerar valor compartilhado
com a sociedade e com o meio ambiente.
Portanto, a transformação
digital genuína não deve ser tratada como um projeto com data de entrega, mas
como uma competência organizacional permanente. Ser digital é cultivar uma
mentalidade (mindset) em que a tecnologia atua como o tecido invisível que conecta
propósito e performance de forma indissociável. Apenas as organizações que
internalizam essa lógica conseguem prosperar em ambientes de incerteza e
transformar a complexidade do mundo contemporâneo em vantagem competitiva
duradoura e consciente.
