terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Jornada do "fazer digital" para o "ser digital", no Contexto das Indústrias 4.0 e 5.0


 

A jornada do "fazer digital" para o "ser digital", no contexto das Indústrias 4.0 e 5.0

Frequentemente, observo empresas que confundem a adoção de ferramentas com transformação. Como consequência, acabam presas a um ciclo recorrente de automação de ineficiências, sem qualquer impacto real na essência do negócio. Nesse estágio inicial, o fazer digital se manifesta por tecnologias isoladas, que funcionam como acessórios operacionais, mas não alteram a lógica da liderança nem a forma como decisões estratégicas são tomadas no cotidiano.

A verdadeira virada de chave ocorre quando a organização transcende o uso instrumental da tecnologia e passa a ser digital em sua identidade. Essa transição exige uma estratégia genuinamente orientada por dados e uma cultura organizacional que incorpore a experimentação como valor inegociável para a sobrevivência. Ao atingir esse nível de maturidade, a empresa deixa de reagir às mudanças do mercado e passa a antecipá-las, apoiada por inteligência artificial e análises avançadas que ampliam a capacidade humana de decisão.

Nesse contexto de evolução contínua, a Indústria 5.0 surge como o elo que humaniza a tecnologia ao reposicionar a sustentabilidade e o bem-estar do colaborador no centro do sistema produtivo. Uma organização que é digital compreende que a eficiência das máquinas deve estar a serviço da criatividade das pessoas e que a resiliência corporativa nasce da capacidade de aprender e desaprender com velocidade. Trata-se de um processo de metamorfose, no qual sistemas ciberfísicos se integram à sensibilidade humana para gerar valor compartilhado com a sociedade e com o meio ambiente.

Portanto, a transformação digital genuína não deve ser tratada como um projeto com data de entrega, mas como uma competência organizacional permanente. Ser digital é cultivar uma mentalidade (mindset) em que a tecnologia atua como o tecido invisível que conecta propósito e performance de forma indissociável. Apenas as organizações que internalizam essa lógica conseguem prosperar em ambientes de incerteza e transformar a complexidade do mundo contemporâneo em vantagem competitiva duradoura e consciente.