terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Apagão da Mão de Obra Profissional

 


Nos últimos anos, é cada vez mais comum ouvir que o Brasil vive um apagão de mão de obra. Empresas de diferentes setores relatam dificuldade em contratar engenheiros, tecnólogos e profissionais das áreas STEM, enquanto em outras formações a oferta ainda supera a demanda. Esse descompasso vai além da economia e reflete falhas estruturais ligadas à educação, à cultura e à valorização profissional.

Nesse contexto, observa-se que o sistema educacional brasileiro ainda prepara jovens para o passado. Currículos excessivamente teóricos estimulam a memorização e sendo pouco conectados à realidade tecnológica e produtiva. O resultado é uma falha no desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de resolver problemas reais, competências essenciais nas ciências e engenharias. Como consequência, muitos estudantes desistem durante a formação e outros sequer consideram essas áreas como caminho de carreira.

Além disso, a desvalorização profissional agrava ainda mais o cenário, exemplo de um engenheiro e médico recém-formados. Ambos iniciam suas trajetórias após longos anos de estudo e grande responsabilidade técnica, mas recebem reconhecimentos distintos. A medicina é cultural e financeiramente valorizada, enquanto a engenharia ainda enfrenta baixos salários e menor prestígio social, mesmo sendo vital para a infraestrutura, a tecnologia e a competitividade nacional. Vale ressaltar que essa diferença não é apenas econômica, mas revela a realidade na forma como o país enxerga as áreas técnicas e científicas.

Somado a isso, a situação é ainda mais sensível entre mestres e doutores. Profissionais altamente qualificados, que deveriam impulsionar a inovação e a pesquisa aplicada, enfrentam condições salariais limitadas e pouco reconhecimento. Vejam que em outros países, eles são disputados por empresas e centros de pesquisa. Porém, no Brasil, enfrentam a desvalorização. O resultado desse cenário é a fuga silenciosa de talentos, enfraquecendo a capacidade do Brasil de transformar conhecimento em valor econômico e social.

Diante desse imbróglio educacional e mercadológico, é fundamental compreender que o apagão de mão de obra não decorre apenas da falta de qualificação, mas também da falta de valorização de quem já está qualificado. Portanto, é necessário fortalecer a pesquisa, a inovação e ainda adotar políticas que coloquem as profissões STEM no centro da estratégia nacional de desenvolvimento. É importante reconhecer que somente o investimento consistente em educação técnica, científica e tecnológica será possível avançar na transformação digital, na sustentabilidade e na indústria 4.0. Valorizar engenheiros, cientistas, tecnólogos, mestres e doutores é reconhecer que o futuro do país depende de quem transforma conhecimento em progresso.