Governança Frágil: O Risco
Estratégico da Conformidade de Aparência.
As recentes sequências de escândalos corporativos revelam uma prática
preocupante: muitas empresas fingem governança enquanto preservam estruturas
frágeis. Em vez de assumir compromissos reais, constroem uma aparência de
conformidade que sustenta discursos sofisticados, porém distantes da verdade
operacional. Infelizmente, esse movimento transforma a gestão em espetáculo e
enfraquece a confiança que deveria ser construída pela transparência.
Nesse cenário, o compliance se tornou, em alguns casos, um rito formal. Basta observar as auditorias ISO e contábeis que deveriam fortalecer processos e garantir integridade, mas acabam convertidas em agendas burocráticas voltadas mais para agradar avaliadores e empresários do que para promover melhorias reais. O mesmo ocorre com programas ESG, muitas vezes utilizados como estratégia reputacional, enquanto práticas internas seguem desalinhadas com os princípios que afirmam defender.
Da mesma forma, o Lean
Thinking vem perdendo força quando aplicado como slogan e não como filosofia
genuína de melhoria contínua. O fato é que sem cultura nenhuma metodologia se
sustenta. Por isso, torna-se essencial restaurar a coerência entre discurso e
prática. Governança verdadeira exige ética cotidiana, decisões responsáveis e
compromisso com sistemas de gestão que não apenas exibem resultados, mas os
constroem com integridade.
Nesse cenário, é a
internalização genuína do propósito que permite às organizações transcender o
discurso da governança e assim gerar valor real para a sociedade, clientes e
colaboradores. É essa autenticidade que fortalece a credibilidade necessária
para sustentar qualquer estratégia de longo prazo.
