Ao longo da minha trajetória profissional, compreendi que liderar vai muito além de orientar equipes ou atingir metas. Liderar é inspirar, conectar e transformar. Essa visão ganhou forma em um projeto desafiador que conduzi no Polo Industrial de Manaus, onde o ambiente refletia um modelo tradicional, com processos desconectados, desperdícios operacionais e pouca cultura de inovação. Percebi que seria necessário romper o status quo e integrar pessoas, processos e tecnologia sob uma mesma visão.
O primeiro passo foi criar um
senso de propósito coletivo, reunindo diferentes áreas em torno de um objetivo
comum: eliminar desperdícios e ampliar o valor agregado das operações. A
aplicação do Lean Manufacturing e do mapeamento de processos fez com que a
equipe passasse a enxergar a empresa de forma sistêmica, identificando
oportunidades ocultas e cocriando soluções. O resultado aumentou o valor
agregado médio de 3% para 10%, comprovando que a melhoria contínua nasce do
engajamento e da colaboração.
Com base nesses aprendizados,
avançamos para otimizar recursos. Ajustes no layout fabril e na análise dos
tempos e métodos elevaram a produtividade, gerando um ganho de US$ 124,721.59.
Paralelamente, a integração de tecnologias analíticas e o redesenho dos
parâmetros das máquinas SMT Fuji NXT resultaram em um cost avoidance de US$
1,846,720.00, evidenciando a força da sinergia entre técnica, estratégia e
propósito.
Ao repensar o fluxo produtivo,
reduzimos o estoque em processo de cinco para dois dias, tornando as operações
mais ágeis e contínuas. A qualidade também evoluiu: a performance junto ao
cliente melhorou de 2626 para 1041 ppm, enquanto as placas com defeito caíram
de 9091 para 1299 unidades. Esses indicadores refletiram não apenas avanços
técnicos, mas uma cultura voltada à excelência e à responsabilidade
compartilhada.
A transformação proporcionou
maior engajamento das pessoas, reduzindo o absenteísmo da mão de obra direta de
8% para 3%. Os efeitos refletiram também no processo de introdução de novos
produtos (NPI), atingido 100% de conformidade entre o planejado e o realizado.
Nas máquinas SMT, as paradas não planejadas diminuíram de 37% para 11%,
consolidando um sistema produtivo mais confiável e inteligente.
No fim, percebe-se que cada
conquista foi resultado da integração equilibrada entre pessoas, processos e
tecnologia. Vale ressaltar que liderar é um ato de construção coletiva. É
conectar, aprender e transformar desafios em oportunidades. Portanto, uma
jornada em que a tecnologia potencializou processos, os processos valorizaram
as pessoas e as pessoas sustentaram a mudança.
