terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Linha do Tempo do Aquecimento Global


 

Motivado por uma enorme curiosidade, fiz uma rápida análise em dados pesquisados sobre as conferências do clima e a progressão do aquecimento médio global (1992 – 2025). Para visualizar os resultados, elaborei uma linha do tempo que revelou um aumento constante na temperatura global (fato que já percebemos).

Observem que a linha do tempo aponta uma jornada política de conferências com início na Rio-92. Nesse marco, criou-se a base inicial para conter o aumento da temperatura, quando o aquecimento global ainda estava aproximadamente +0,4°C em relação ao período pré-industrial.

Avançando para 1997, o Protocolo de Kyoto (COP 3) surgiu com a temperatura já em +0,5°C, configurando-se como a primeira tentativa de redução de emissões. Contudo, o impacto foi limitado por ser restrito aos países desenvolvidos e a ausência de grandes emissores.

A temperatura continuou a subir, atingindo +0,8°C na época da COP 15 (2009), que terminou em um impasse político e sem metas obrigatórias. Um ponto de virada significativo na governança climática ocorreu apenas na COP 21 (Paris, 2015). Com o aquecimento já em +1,0°C, o Acordo de Paris uniu nações desenvolvidas e emergentes com o compromisso de limitar o aquecimento a 1,5°C. Apesar do acordo, a década seguinte foi a mais quente já registrada.

Em 2021 (COP 26), o mundo registrava +1,2°C, consolidando a agenda de neutralidade de carbono. Em 2022 (COP 27), apesar de uma aparente estabilidade em +1,15°C, houve a intensificação de secas severas e chuvas extremas, resultando na criação do Fundo de Perdas e Danos. Em 2023 (COP 28), registrou-se o ano mais quente da história, atingindo +1,4°C. Foi quando se confirmou que o mundo estava fora do ritmo necessário para cumprir o Acordo de Paris.

Agora, projeta-se a COP 30 (Belém, 2025) como um momento crítico. Com estimativas indicando que o limite de 1,5°C pode ser atingido, a linha do tempo posiciona esta conferência como a última chance política da década para evitar o rompimento dessa temperatura. Para isso, a conferência aposta em temas como a bioeconomia, preservação de florestas e a transição energética.

No fim, ao observar as três décadas de negociações climáticas, ao mesmo tempo o aumento quase ininterrupto da temperatura global, questiona-se o seguinte: as conferências realmente são efetivas em transformar intenções em resultados práticos?

Infelizmente, a linha do tempo revela que falhamos. Sendo assim, a reflexão agora é: estamos realmente dispostos a tratar as apostas da COP 30 com a urgência que o planeta exige? ou continuaremos a registrar nossa incapacidade de transformar intenções em resultados efetivos?