Motivado por uma enorme curiosidade, fiz uma rápida análise em dados pesquisados sobre as conferências do clima e a progressão do aquecimento médio global (1992 – 2025). Para visualizar os resultados, elaborei uma linha do tempo que revelou um aumento constante na temperatura global (fato que já percebemos).
Observem que a linha do tempo
aponta uma jornada política de conferências com início na Rio-92. Nesse marco,
criou-se a base inicial para conter o aumento da temperatura, quando o
aquecimento global ainda estava aproximadamente +0,4°C em relação ao período
pré-industrial.
Avançando para 1997, o
Protocolo de Kyoto (COP 3) surgiu com a temperatura já em +0,5°C,
configurando-se como a primeira tentativa de redução de emissões. Contudo, o
impacto foi limitado por ser restrito aos países desenvolvidos e a ausência de
grandes emissores.
A temperatura continuou a
subir, atingindo +0,8°C na época da COP 15 (2009), que terminou em um impasse
político e sem metas obrigatórias. Um ponto de virada significativo na
governança climática ocorreu apenas na COP 21 (Paris, 2015). Com o aquecimento já
em +1,0°C, o Acordo de Paris uniu nações desenvolvidas e emergentes com o
compromisso de limitar o aquecimento a 1,5°C. Apesar do acordo, a década
seguinte foi a mais quente já registrada.
Em 2021 (COP 26), o mundo
registrava +1,2°C, consolidando a agenda de neutralidade de carbono. Em 2022
(COP 27), apesar de uma aparente estabilidade em +1,15°C, houve a
intensificação de secas severas e chuvas extremas, resultando na criação do
Fundo de Perdas e Danos. Em 2023 (COP 28), registrou-se o ano mais quente da
história, atingindo +1,4°C. Foi quando se confirmou que o mundo estava fora do
ritmo necessário para cumprir o Acordo de Paris.
Agora, projeta-se a COP 30
(Belém, 2025) como um momento crítico. Com estimativas indicando que o limite
de 1,5°C pode ser atingido, a linha do tempo posiciona esta conferência como a
última chance política da década para evitar o rompimento dessa temperatura.
Para isso, a conferência aposta em temas como a bioeconomia, preservação de
florestas e a transição energética.
No fim, ao observar as três
décadas de negociações climáticas, ao mesmo tempo o aumento quase ininterrupto
da temperatura global, questiona-se o seguinte: as conferências realmente são
efetivas em transformar intenções em resultados práticos?
Infelizmente, a linha do tempo
revela que falhamos. Sendo assim, a reflexão agora é: estamos realmente
dispostos a tratar as apostas da COP 30 com a urgência que o planeta exige? ou
continuaremos a registrar nossa incapacidade de transformar intenções em
resultados efetivos?
